Bitucas de cigarros e atos criminosos são os maiores responsáveis pelos incêndios em áreas de cana-de-açúcar

IVIAGORA


Ao menor sinal da presença de fogo em uma área tomada pela cana-de-açúcar, as usinas e produtores rurais são logo apontados pela população em geral como os principais responsáveis. Essa “culpa” se deve ao histórico do setor, que por muitos anos utilizou a queima para facilitar a colheita manual e eliminar folhas secas e verdes dos canaviais, consideradas matérias-primas descartáveis.

Mas, com o crescimento da colheita mecanizada, presente quase 100% no estado de São Paulo, o fogo passou a significar prejuízo ao setor sucroenergético, pois resulta em perdas agronômicas, ambientais e problemas jurídicos.

Bitucas de cigarros jogadas acessas para fora dos carros, soltura de balões, fogueiras perto de matas, queima de lixo e o uso de velas em rituais religiosos são apenas alguns dos exemplos do uso inconsequente do recurso que acaba por gerar grandes focos de incêndio em áreas rurais.

Segundo a advogada e especialista em desenvolvimento sustentável entre produtor rural e meio ambiente, Dra. Helena Pinheiro Della Torre Vasques, nos últimos anos, três grupos em particular tem se destacado como os grandes vilões. Usuários de drogas; pessoas de má índole, como um ex-funcionário descontente com sua demissão e que ateia fogo no canavial como forma de vingança; e participantes de movimentos sociais. “Em 2020, muitos casos de incêndios tiveram início dentro de assentamentos do Movimento Sem Terra (MST).”

No entanto, mesmo sem responsabilidade, a “conta” acaba chegando para as usinas e produtores rurais, que constantemente recebem autos de infrações e multas com valores bem consideráveis, principalmente se o incêndio atingir áreas protegidas, como reservas legais e áreas de preservação permanente.

“Em casos de incêndios criminosos, se houver a comprovação da ausência de culpa e dolo, por ação ou omissão, na esfera administrativa e criminal as repercussões podem ser minimizadas. No entanto, o produtor rural possui dificuldade em provar sua inocência. Dessa forma, a existência de um dossiê favorável, contendo um histórico de ações preventivas com medidas mitigadoras é crucial para o sucesso da defesa”, afirmou Dra. Helena durante participação em uma live promovida pela Cyan Agroanalytics, uma empresa especializada na gestão de combate de incêndios - do monitoramento até a defesa, no dia 03 de junho.

Durante o evento virtual, o sócio da Cyan Agroanalytics, Ricardo Imai, falou sobre a tecnologia da companhia de monitoramento e de apontamento de combate aos incêndios em canaviais. Segundo ele, a plataforma é bastante completa e robusta e ajuda usinas e produtores a passarem “quase ilesos” pela temporada de incêndios. “Esse sistema é 100% online, coleta automaticamente dados de todos os satélites disponíveis na região onde está localizado o canavial, e envia alertas para os centros de inteligência das unidades agroindustriais ou diretamente para o celular e/ou e-mail dos produtores. Após o alerta, o software também traça a rota mais curta até o local do incêndio.”

A ferramenta permite, ainda, saber a localização exata de cada equipe de combate, sendo possível, inclusive, acompanhar seu deslocamento em tempo real. “Isso é imprescindível para determinar qual unidade poderá chegar mais rapidamente ao local do incêndio e para saber, posteriormente, quais delas participaram efetivamente do combate.”

A plataforma da Cyan Agroanalytics também é altamente eficiente para a realização de apontamentos e geração de relatórios. “O sistema pode, por exemplo, fornecer informações de umidade, temperatura e vento em tempo real ou para os próximos três dias.”

A plataforma inclue registro dos dados da Planilha Corta-Fogo; funcionamento offline no campo; geração de relatórios em PDF e checagem e edição dos relatórios após o combate. Lembrando que os apontamentos ficam salvos no sistema, organizados por data, fazenda ou até mesmo tipo de apontamento. “Todos esses dados poderão, posteriormente, ser utilizados como provas de prevenção, de combate, de ato de terceiros e mensuração de dano, se tornando determinantes para o sucesso na defesa e/ou ausência de aplicação de multa”, ressalta Imai.

Durante a live, o sócio da Cyan Agroanalytics também destacou que a plataforma da companhia conduz um amplo monitoramento das descargas elétricas, sejam elas dos últimos 90 dias ou até mesmo as que estão ocorrendo no momento da verificação. “Além de gerar uma informação relevante para um possível dossiê, essa ferramenta permite orientar as equipes próximas a saírem do local afetado e buscar abrigo.”

No entanto, usinas e produtores rurais são os maiores responsabilizados – e penalizados – por esses atos