CHINA “RECUSA” A CARNE DO BRASIL E LIGA SINAL VERMELHO

IVIAGORA


Pecuaristas, indústrias e o Ministério da Agricultura ainda aguardam respostas da China sobre a retomada dos embarques de carne bovina brasileira para aquele mercado. A suspensão voluntária das exportações, adotada em cumprimento ao protocolo sanitário bilateral e em decorrência da investigação de casos atípicos do “mal vaca louca” em Minas Gerais e Mato Grosso, completa 20 dias hoje e provoca problemas na cadeia produtiva.  Por se tratar de uma “repetição” das medidas adotadas em 2019, quando outro episódio atípico da doença foi identificado no país, o Brasil esperava que a reabertura do mercado fosse mais rápida dessa vez. Naquela ocasião, a retomada aconteceu em 13 dias. 

Sem novidades de Pequim, governo e setor produtivo estão em compasso de espera. Todas as informações técnicas já foram entregues – inclusive em mandarim — na semana passada. A China teve um feriado prolongado no início desta semana, mas a expectativa era que alguma reação fosse divulgada já na quarta-feira. 

O governo brasileiro trabalha com cuidado para evitar ruídos de comunicação com os chineses, o que poderia atrapalhar ou retardar ainda mais a reabertura. E tem o respaldo da própria Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) para a retomada, que ainda no início do mês concluiu que os casos de “vaca louca” no Brasil não representam riscos sanitários para o rebanho nacional.  Ansioso, o mercado pecuário brasileiro espera que o quadro seja revertido nesta semana. No governo, a expectativa é que a reabertura aconteça nos próximos dias. “Tecnicamente e sanitariamente, não há razão para manter o embargo por mais tempo”, disse uma fonte.  Outros mercados  A Arábia Saudita, que chegou a suspender as exportações de cinco frigoríficos mineiros, já retomou as compras. A Rússia aplicou restrições para receber carne de animais comprovadamente com menos de 30 meses de idade.  O secretário de Assuntos Econômicos da Embaixada do Irã no Brasil, Mohsen Shahbazi, afirmou ao Valor que a Organização Agroveterinária do país (IVO, na sigla em inglês) cogitou suspender as exportações de abatedouros de Mato Grosso e Minas Gerais, mas voltou atrás depois da nota da OIE. Os embarques continuaram sem interrupções.

Enquanto entre julho e agosto o Indicador do boi gordo CEPEA/B3 (mercado paulista) operou na casa dos R$ 310 e R$ 320, agora em setembro, está entre R$ 300 e R$ 310. Inclusive, o Indicador chegou a ficar abaixo dos R$ 300 neste mês – nessa quarta-feira, 22, fechou a R$ 299,30 e, no dia 15, a R$ 295,00, o menor patamar nominal desde 25 de janeiro deste ano, quando esteve a R$ 294,95.

No acumulado da parcial de setembro, o Indicador registra queda de 4,5%. Em julho, o Indicador teve pequena alta de 0,43%, mas, em agosto, o recuo foi de 2%. Segundo pesquisadores do Cepea, diante das incertezas geradas pelo anúncio de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) no início deste mês e da consequente suspensão dos envios de carne brasileira à China – maior destino internacional da proteína –, agentes de mercado se afastaram das aquisições de novos lotes para abate, resultando em queda das cotações. Com informações do CEPEA.