Odilon pede à PF investigação sobre as declarações de Jedeão

IVIAGORA


O candidato ao governo do Estado, juiz Odilon de Oliveira, protocolou na manhã dessa segunda-feira, 3, na Superintendência da Polícia Federal de Campo Grande, solicitando abertura de inquérito policial para apuração de fatos apresentados pelo ex-servidor da Justiça Federal, Jedeão de Oliveira, que o acusou de irregularidades quando exercia o cargo de juiz federal na 3ª vara federal de Mato Grosso do Sul.

Odilon ressalta que a competência da investigação está na esfera da Polícia Federal por se tratar de fatos supostamente terem sido praticados no exercício do cargo de magistrado federal, “contrariando, portanto, interesse da União”, o que justifica as investigações, processo e julgamento no âmbito federal.

No pedido, o juiz federal aposentado dispensa o segredo de justiça e apresenta as informações veiculadas no jornal Folha de São Paulo, no dia 30 de agosto, com acusações sérias contra sua pessoa feitas por um ex-assessor demitido por ele em meados de 2016, após ser pego em ato criminoso na 3ª vara federal.

Também cita o fato de o ex-servidor acusá-lo de facilitar, enquanto juiz, a realização ilegal de monitoramentos telefônicos pela própria Polícia Federal. Conforme as acusações, o juiz Odilon sempre teve um grupo de “arapongas” formado por policiais federais para fazer grampos à margem da lei, relata o pedido de inquérito.

Para Odilon, é muito estranho o ex-servidor esperar mais de dois anos após ser exonerado para registrar “Declarações por Instrumento Particular” no cartório de Bauru (SP), enquanto ele estaria residindo em Cuiabá. O juiz aposentado também questiona a falta de provas para as declarações divulgadas na Folha de São Paulo e imprensa de todo o Estado na véspera da estréia do programa eleitoral no rádio e na televisão.

Odilon lembra na solicitação à Polícia Federal que a colaboração premiada proposta por Jedeão foi negada pelo Ministério Público Federal por falta de provas. O magistrado defende seu pedido de inquérito por se tratar de ex-servidor federal, motivo ainda mais relevante para os fatos sejam apurados e a sociedade seja esclarecida. “A OAB-MS em declaração à imprensa preferiu nem se manifestar a respeito das declarações do ex-servidor por considerar não haver qualquer credibilidade nas mesmas”, observou ele.

“Ser honesto e transparente não é favor, mas dever de qualquer servidor público, desde o mais humilde até o presidente da República”, destacou Odilon, acrescentando que se ele, no exercício do cargo de juiz federal, tenha cometido algum delito, tudo deve ser rigorosamente apurado. “Ninguém está acima da lei”.

O magistrado aposentado apresentou documentos e pede à PF para ouvir algumas testemunhas, entre familiares e ex-assessores da Justiça Federal, alguns até citados pelo servidor exonerado por desvio de recursos da 3ª vara federal de Campo Grande. “Durante mais de 30 anos como juiz federal fui reconhecido por minha atuação implacável contra o crime organizado. Em razão disso perdi minha liberdade. Por isso, não aceito esse tipo de acusação. É óbvio tratar-se de armação política e o povo conhece a cara do político que fez isso”, reiterou Odilon, complementando estar esperando agora qual o próximo réu ou ex-servidor a ser cooptado para acusá-lo, uma vez que essa armação não deu certo. “Espero que tudo seja esclarecido”, afirmou.