Casa só com 'mãe e avó' é 'fábrica de desajustados' para tráfico, diz Mourão

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Segundo informações da Folha, o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), vice de Jair Bolsonaro (PSL), disse que o narcotráfico recruta jovens de famílias pobres “sem avô e pai, mas com avó e mãe”.

Ele pretendia fazer uma correlação entre a “crise de costumes” decorrente do “ataque cerrado à instituição da família”.

“A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó. Por isso, é uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”.

Transitando pelo politicamente incorreto, criticou a política externa dos anos Luiz Inácio Lula da Silva (PT, 2003-10). “Nós nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia Sul-Sul”, disse.

Citou então os casos de suspeitas de corrupção em financiamentos brasileiros a projetos na África e na América Latina, um dos eixos da política Sul-Sul apregoada pelo então chanceler Celso Amorim, que buscava alternativas políticas e econômicas às parcerias tradicionais com EUA e Europa.

Questionado posteriormente sobre o termo usado, disse que só havia dito “para o auditório ficar satisfeito”.

Tocando violino para a audiência, fez uma defesa do livre mercado, da redução ou simplificação da carga tributária, da necessidade da reforma previdenciária e da “implementação da trabalhista, que tem gente que é contra”. “Compete ao governo ser indutor, dar marcos regulatórios”, afirmou.

Para ele, o Brasil é um “cavalo para saltar 1,80 m”, mas está “todo amarrado, só consegue saltar 0,70m”. Defendeu o ajuste fiscal baseado no corte de gastos e regulação. “Agências reguladoras são boas. Mas a macacada vai lá e faz cabide de emprego. Vamos pôr gente com mandato.”

“É preciso projeto para dar segurança ao investidor. Haverá então lucro, reinvestimento e empregos”, disse, pregando investimento em infraestrutura. “Querermos estradas alemãs, não com o padrão da República Centro-Africana, me desculpem os irmãos de lá. Temos de priorizar as áreas mais importante”, afirmou.

No comércio exterior, defendeu a redução da Tarifa Externa Comum do Mercosul. “Vamos aproveitar que a Venezuela [Estado associado ao bloco] já foi pro saco e discutir isso com os membros efetivos”, disse.

Para Mourão, o refino e a distribuição da Petrobras podem ser vendidos, mas relativizou a demanda privatista. “Tem de privatizar o que tem de ser privatizado”, disse, afirmando que o problema maior da petroleira é a corrupção.