Policial
Travesti é baleado após enfrentar a PM
Câmera de segurança de comércio na Avenida Calógeras mostra que a arma de um policial militar caiu enquanto ele e uma usuária de drogas trocavam socos na tarde desta segunda-feira (16), no cruzamento com a Rua 15 de Novembro, região central de Campo Grande. A gravação contraria a versão inicial de que a vítima teria retirado o armamento do coldre do servidor.
A ocorrência foi registrada nas proximidades do gramado da Igreja Santo Antônio, área conhecida pela presença de usuários de drogas. A vítima é uma travesti de 27 anos, identificada com o nome social de Gabriela.
O vídeo registra o momento em que a viatura da equipe chega pela Rua 15 de Novembro. Os policiais descem e abordam um grupo que estava na praça próxima à igreja. Enquanto um policial aborda uma pessoa de camiseta vermelha, Gabriela, que veste short amarelo e camiseta branca, parte em direção ao militar.
Outro policial intervém para contê-la. Os dois trocam socos, Gabriela se afasta e retorna ao ponto onde os policiais abordavam o colega. Os militares continuam a abordagem quando ela volta a se aproximar. Recebe um chute, reage e, nesse momento, a arma do policial cai no chão.
As imagens mostram Gabriela pegando o revólver do chão e apontando em direção à equipe. Na sequência, outro policial efetua três disparos. Ela é atingida no peito, no abdômen e na perna, cai e é socorrida em estado grave para a Santa Casa.
Abordagem - Inicialmente, a versão apresentada era de que Gabriela teria retirado a arma do coldre durante a abordagem. O tenente Ivan Llano, do 1º Batalhão da Polícia Militar, afirmou que a equipe realizava uma abordagem de rotina e que uma das pessoas abordadas teria reagido. Segundo ele, Gabriela teria aproveitado a imobilização dessa pessoa para pegar a arma do policial.
Testemunhas e o próprio policial relataram que ela teria apontado o armamento e tentado atirar. “Na sequência, outro policial atirou”, disse o tenente. Ele também declarou que ainda não se sabe o que levou à necessidade de o segundo agente efetuar os disparos para garantir a segurança da equipe.
Aline Vieira Dias, 18 anos, que conhece Gabriela, disse que não estava no local no momento dos tiros, mas chegou logo depois. “Eles costumam fazer o plantão deles, abordar a gente, pedir documento, consultar nome. Isso é rotina. O problema é que, em alguns momentos, eles chegam falando de forma alterada. Se falam com respeito, a gente respeita. Se desrespeitam, acabam gerando desrespeito também”.
Ela confirmou que a vítima fazia uso de drogas. “Sobre ela, posso dizer que sim, ela usa droga. Naquele momento, estava sob efeito. Não sei se ela pegou a arma ou não. Muitas vezes a gente também é acusado injustamente”.
Aline questionou a quantidade de disparos. “Se fosse legítima defesa, o correto seria um disparo para conter, para fazer cair. Não quatro tiros. Quatro tiros não são para imobilizar, são para matar. É diferente do que estão dizendo”. A PM informou três tiros à reportagem do Campo Grande News
Nota da PM
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul vem a público esclarecer pontos que têm sido apresentados no debate sobre a recente ocorrência no centro de Campo Grande.
A utilização do termo “extermínio” pressupõe prática sistemática, direcionada e reiterada contra determinado grupo social. Trata-se de uma acusação grave, que exige comprovação objetiva.
Até o presente momento, não há qualquer dado oficial que indique prática sistemática ou direcionada da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul contra qualquer grupo social. A instituição não possui histórico estatístico que sustente essa narrativa. Muito pelo contrário, possui um histórico de ações em prol da segurança e bem-estar dos sul-mato-grossenses, presente nos 79 municípios do Estado.
O episódio em análise decorreu de uma abordagem que evoluiu para luta corporal. Durante a ação, a arma de um policial foi tomada e apontada contra a equipe. Nesse cenário, configurou-se risco concreto e imediato à vida dos agentes e de terceiros.
Quanto à alegação de excesso pelo número de disparos, é importante esclarecer que protocolos de uso da força não se baseiam na contagem isolada de tiros, mas na necessidade de cessar a ameaça. A atuação ocorre até que o risco seja neutralizado, especialmente quando há arma de fogo envolvida e direcionada contra policiais e/ou terceiros.
Ocorrências com ameaça armada se desenvolvem em frações de segundo. Julgamentos posteriores devem considerar o contexto real enfrentado no momento da ação, e não percepções dissociadas da dinâmica do confronto.
A Polícia Militar lamenta profundamente a perda de qualquer vida. Contudo, reafirma que:
• Atua com base na legalidade, na técnica e na filosofia de Polícia Comunitária;
• Não direciona ações por identidade, condição ou pertencimento social;
• Está submetida à investigação regular dos órgãos competentes;
• Permanece aberta ao diálogo responsável com todos os segmentos da sociedade.
O debate público é legítimo. A generalização sem dados, não.
Há 190 anos, o compromisso da PMMS é com a segurança e a proteção da população sul-mato-grossense.
Vítima veio a óbito






