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12 de agosto de 2020
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03/06/2019 às 20h44

Fim de privilégios dos políticos só depende do povo nas ruas


iviagora

Uma boa notícia traz a paradoxal dimensão de como o Brasil é inviável – e precisa de reformas bem mais profundas do que qualquer governo tenta ou tentou implementar: na cidade de Arcos (MG), executivo e legislativo municipal reduziram os salários de vereadores, secretários, prefeito e vice.

O corte mais significativo se dará no vencimento dos parlamentares, 80%, passando de R$ 6.180,00 para R$ 1.236,00. No caso do prefeito, o reajuste será de 50%, indo de R$ 24.224 para R$ 12.112. Os secretários deixarão de ganhar os atuais  R$ 7.975 para receber R$ 6.380.

A chance de esse tipo de iniciativa institucional frutificar é improvável. Mas ficam o exemplo e a remota esperança de os cidadãos brasileiros perceberem como os privilégios que sagram este país não são intocáveis – como os discursos oficiais deixam transparecer.

Direitos adquiridos tornou-se uma expressão pornográfica na boca de juízes instados a se pronunciar sobre o fim de toneladas de dinheiro público escoadas para o bolso de alguns poucos milhares de funcionários.

 

Só que nada é imutável sob os ceús.

Diante da maior crise econômica da história, bastava os nossos três poderes republicanos assumirem a responsabilidade de respeitar e fazer cumprir uma mudança constitucional que permitisse não só mexer em salários abusivos, mas, principalmente, eliminar benefícios, mordomais, jetons, auxílios, penduricalhos e indecências de toda ordem – esse monturo que nos aprisiona na desigualdade e na injustiça social.

Sabemos que isso não vai acontecer sem pressão popular. Diante da surdez e cegueira de nossos representantes e lideranças políticas, a sociedade precisa se atrever a imaginar uma solução simples como sair de casa e atravessar a rua: multidões – sim, essas mesmas que se mobilizaram em diversas cidades nas últimas semanas.

Alguma dúvida que funcionaria?