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21/11/2019 às 07h23

Usinas doaram R$ 2,3 milhões para campanha de Tereza, que liberou cana no Pantanal


iviagora - ojacare.

As usinas etanol e açúcar são os principais financiadores das campanhas eleitorais da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, responsável por ignorar a luta pelo meio ambiente e liberar o plantio de cana-de-açúcar no Pantanal. Nas duas campanhas de deputada federal, ela recebeu R$ 2,3 milhões de empresários e produtores rurais do setor, conforme o Tribunal Superior Eleitoral.

O setor é o principal beneficiado com a polêmica decisão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que revogou a proibição do cultivo de cana na planície pantaneira, prevista em decreto de 2009. Com a decisão, os usineiros já planejam avançar sobre a BAP (Bacia do Alto Paraguai).

A instalação de usinas no Pantanal, considerado patrimônio natural da humanidade pela ONU, é proibida em Mato Grosso do Sul desde 1982. Na época, a lei foi sancionada pelo governador Pedro Pedrossian (PDS), que acatou a reivindicação do movimento em defesa da preservação do meio ambiente iniciado em 1979.

A mobilização voltou a ganhar as ruas em 2005, quando o secretário estadual de Produção, atual deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT), na gestão de Zeca do PT, tentou mudar a lei e liberar a produção de álcool e açúcar na região. A proposta foi sepultada após o ambientalista Francisco Anselmo de Barros, o Franselmo, morrer após atear fogo ao próprio corpo em protesto contra o projeto.

A proposta voltou a ser cogitada em 2009 por Tereza Cristina, que era secretária estadual de Produção. No entanto, a proposta virou escândalo nacional após o então governador, André Puccinelli (MDB), anunciar que estupraria em praça pública o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. Na ocasião, o emedebista ficou conhecido nacionalmente como lunático.

Agora, sem qualquer discussão, o presidente da República, a ministra Tereza Cristina e o ministro da Economia, Paulo Guedes, assinaram a revogação do decreto de 2009 e liberaram o cultivo de cana-de-açúcar no Pantanal, na BAP e na Amazônia.

A proposta vai ao encontro do desejo dos usineiros, que querem ampliar o cultivo da cana sobre a floresta e a planície pantaneira. Tereza Cristina sempre teve apoio do setor, conforme mostram as prestações de contas à Justiça Eleitoral.

Em 2014, quando foi candidata a deputada federal pela primeira vez, ela arrecadou R$ 4,298 milhões. Deste total, os usineiros destinaram R$ 2,185 milhões (50,8% do total arrecadado) para a campanha vitoriosa da ministra.

O principal doador foi Iaco Agrícola, que produz etanol e açúcar, com a doação de R$ 1 milhão. A Adecoagro, outra produtora de bioenergia a partir da cana, deu R$ 600 mil.

Atualmente em recuperação judicial, a Energética Santa Helena, de Nova Andradina, contribuiu com R$ 200 mil em seis doações à candidata. Visionária, a Cooperativa dos Plantadores de Cana de São Paulo doou R$ 35 mil.

Liberação do plantio de cana e usinas podem destruir o Pantanal, principal destino do ecoturismo no Estado e patrimônio da humanidade, segundo ambientalistas (Foto: Arquivo

Na eleição do ano passado, oficialmente, empresas estão proibidas de fazer doações para os candidatos. Tereza Cristina foi reeleita. Na campanha eleitoral, ela informou ter arrecadado R$ 2,239 milhões, sendo que o principal doador foi o Democratas, seu partido, que destinou R$ 1,350 milhão.

Dos R$ 880 mil doados por pessoas físicas, pelo menos dois são ligados ao setor de etanol e açúcar. O vice-presidente da Cosan, Marcos Marinho Lutz, doou R$ 100 mil. O produtor rural de cana, Flávio Páscoa Teles de Menezes, contribuiu com R$ 50 mil.

Ambientalistas temem a destruição do Pantanal com a liberação do plantio de cana-de-açúcar e instalação de usinas. No entanto, a mobilização contra reuniu poucas pessoas no dia 12 deste mês, quando a morte de Franselmo completou 14 anos.

A ministra Tereza Cristina acaba repetindo práticas de outros governos, em que ministros acabam atuando para defender interesses dos seus patrocinadores nas campanhas eleitorais. Apesar da mobilização da sociedade brasileira, alguns costumes ainda persistem.