Menu
12 de agosto de 2020
10º min
16º min
25/04/2020 às 21h48

Assassino confesso de Graziele foi a velório e ostentava luto na internet


iviagora - cgnews

Desde o crime até o velório da estudante Maria Graziele Elias de Souza, de 21 anos, neste sábado (25) o seu ex-marido, Lucas Pergentino, de 26 anos, tentou sustentar um personagem acima de qualquer suspeita. No entanto, ele acabou preso horas depois de chorar no velório da vítima e deu detalhes de um feminicídio marcado pela covardia e a frieza. 

Depois de matar a jovem na tarde do dia 14 de abril o criminoso ainda manteve o corpo em sua residência na Rua Mitsuyo Aratani, no Parque do Lageado, por cerca de 6 horas antes de lança-lo às margens da BR-262, no anel viário entre a saída de Campo Grande e a de Sidrolândia.

Os dois estavam separados há cerca de dois meses, mas ao delegado Carlos Delano, responsável pela investigação, Lucas disse ter cometido o crime após passar a noite com a estudante. 

“Segundo ele, eles passaram a noite de segunda para terça-feira juntos. No dia em que houve o crime era aniversário dele. A Graziele chegou a enviar uma cesta de café da manhã para ele. À tarde ele a buscou no trabalho e os dois voltaram para a residência”, comentou o delegado.

Graziele foi morta asfixiada com um “mata leão” por volta das 16h enquanto tentava ir embora da residência. “Ele diz que não houve discussão, que ‘perdeu a cabeça’ e matou por impulso, mas tudo indica que foi premeditado”, completa o delegado.

Após matar a jovem o rapaz ainda foi até a casa de sua mãe que fica no mesmo bairro. Ele permaneceu algumas horas no local e só retornou para a sua residência à noite. Ainda segundo o delegado, neste intervalo de tempo, Lucas pegou o celular da vítima e postou um stories na rede social da jovem em que ela aparece ao lado de outro homem.

O motivo, segundo a polícia, era tentar levantar a suspeita do envolvimento do rapaz que aparecia na imagem. Por volta das 22h, Lucas colocou o corpo em seu veículo Palio e seguiu até a rodovia. Lá, Graziele foi lançada em meio à vegetação à margem da pista e só foi localizada por um motorista ao acaso no último domingo, dia 19. 

Se passaram 11 dias desde o crime até a prisão, neste sábado (25) período em que Lucas agiu friamente para tentar despistar a polícia. Foi Lucas quem acompanhou a mãe da vítima na delegacia para registrar o desaparecimento da estudante.

Em um primeiro depoimento ele contou que a jovem esteve na sua residência no dia 14, deixou no local jaleco, roupas e a bolsa com todos os documentos pessoais, mas depois não teve mais notícias. A ida da jovem ao local, no entanto, foi justamente um dos pontos centrais da investigação.

No Facebook, Lucas ostentava a frase “Eu amo minha vida, minha mulher eu amo minha família” e a foto de mãos dadas com Graziele. Conforme apurado pela reportagem, neste sábado ele até levou coroa de flores no velório da vítima em cerimônia realizada no cemitério do Cruzeiro.

Ex-marido da estudante foi preso neste sábado (25) em Campo Grande — Foto: Alexandre Cabral/TV Morena

Durante o dia ele também compartilhou um vídeo lamentando a morte da jovem. Ainda conforme apurado a policia já sabia do envolvimento de Lucas no crime, no entanto, não levantou a suspeita para evitar que ele tentasse fugir. 

Incrédula, mãe de femicída tenta ver o filho que estava preso em carro da Polícia Civil.(Foto: Henrique Kawaminami) 

Depois de prendê-lo no Centro da cidade os investigadores foram à sua residência e encontraram a cesta que a jovem havia comprado para o ex-marido no dia de seu aniversário. A prisão foi decretada pela justiça com o aval do Ministério Público, diante das evidências reveladas pela investigação 

Um mandado de busca foi cumprido na casa da mãe do criminoso que também fica no Parque do Lageado. A moradora chegou ao endereço depois dos policiais e, sem saber que o filho havia confessado o crime entrou em desespero.

Maria Graziele de Souza desapareceu no dia 14 de abril e seu corpo foi encontrado no dia 19 — Foto: Redes Sociais/Divulgação

“Não foi ele quem fez isso. Eu prefiro morrer do que ver meu filho sendo levado”, disse aos prantos próxima à viatura onde Lucas era mantido preso. Nada foi encontrado no local.