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8 de julho de 2020
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09/05/2020 às 04h31

Em 72h, cidade sai do 1º caso para liderança proporcional de pacientes com coronavírus


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Bastaram 72 horas para que Guia Lopes da Laguna descobrisse seu primeiro caso de coronavírus (Covid-19) e assumisse a liderança no volume de casos da doença a cada 100 mil habitantes em Mato Grosso do Sul. O primeiro paciente foi confirmado em 5 de maio: um homem de 38 anos que teve contato com outro caso positivo. No dia 7, a cidade já contava 5 doentes entre seus cerca de 10 mil moradores.

Nesta sexta-feira (8), eram 12 casos confirmados, incidência de 121,3 a cada 100 mil. E a tendência é o contador aumentar em uma cidade na qual, conforme o Executivo local, sequer conta com respiradores para auxiliar os casos mais graves.

“É um choque”, resumiu o prefeito Jair Scapini (PSDB) que, do primeiro anúncio de endurecimento das medidas sanitárias no dia 5, ampliou o alcance das medidas já no dia 7, tornando-se a primeira cidade do Estado a decretar o lockdown (“fechamento geral”): as pessoas foram liberadas a saírem de casa 2 vezes por semana, conforme seu mês de nascimento, apenas para realizar serviços essenciais –definidos pela administração municipal.

A circulação na cidade foi restrita, com o decreto de fechamento sendo alterado para excluir as BRs 267 e 060 do alcance da medida, por serem rodovias federais.

“Isso se deu em dois, três dias. Foi um caso, depois 5, depois mais 7, e agora esperamos o resultado de mais 10 que, pelos sintomas, devem dar positivo. E, desses 10, têm mulher que trabalha na Prefeitura, na Câmara. Pessoas que vivem lado a lado, casais, que começam a apresentar sintomas”, antecipou o prefeito.

Após o choque de realidade, Scapini afirma que a população da cidade “acordou”. “Andei há pouco na cidade e a população parou. Não acreditavam muito, gente que podia estar contaminada participando de Festa do Trabalhador. Agora, a população está atendendo”, explicou, fazendo menção, porém, à aglomeração de pessoas em bancos em busca dos salários do mês ou do auxílio emergencial do Governo Federal.

A contagem de casos por 100 mil habitantes é praxe adotada pelas autoridades de Saúde para delimitar o universo de doentes em uma determinada comunidade. Os dados de Guia Lopes indicam que, caso a população da cidade fosse de 100 mil pessoas, haveria 121 doentes. A título de comparação, Campo Grande tem 151 casos mas, dentro dessa métrica, tem 17 casos a cada 100 mil moradores.

A segunda colocada nesse ranking é sonora (67,4 casos por 100 mil), seguida por Brasilândia (59 por 100 mil) e Batayporã (54 por 100 mil).

Sem respirador

O prefeito aguarda até este sábado (9) o resultado dos últimos testes para identificar casos de Covid-19, que foram remetidos para o Lacen (Laboratório Central) de Campo Grande. De imediato, ele tira a responsabilidade do primeiro paciente da cidade –um caminhoneiro que esteve em São Paulo e trabalhava em um frigorífico que se tornou o epicentro da doença, no qual também trabalham 2 moradores da vizinha Jardim que também contraíram o coronavírus. A unidade industrial, com 300 funcionários, suspendeu as atividades por 15 dias diante do surto.

A preocupação, na verdade, está na pressa para que Guia Lopes possa suportar um aumento considerável no total de doentes. Scapini explica que o Hospital Municipal Edelmira Nunes de Oliveira recebeu estrutura básica para triagem, mas os pacientes e suas famílias têm sido acompanhados em suas casas. A unidade de Saúde, explicou ele, não conta com respirador ou UTI –esta disponível na vizinha Jardim, que recentemente teria obtido um equipamento de ventilação artificial.

“O município tem uma UTI móvel na ambulância, mas não temos respirador. Estamos tentando comprar, mas a Justiça tem de liberar”, explicou o prefeito, apontando uma dificuldade dos gestores brasileiros no momento –a falta de respiradores mecânicos gerou um esforço de fábricas e organizações para reparar equipamentos quebrados, já que a aquisição de novos foi comprometida por se tratar de item produzido no exterior, principalmente na China, onde a demanda supera a capacidade de fabricação. As aquisições foram centralizadas pelo Ministério da Saúde. “A Justiça tem de liberar”.