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30 de maio de 2020
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17/05/2020 às 10h13

PF adiou operação contra filho de Bolsonaro para não atrapalhar 2º turno, diz coordenador de campanha


iviagora - midiamax

Paulo Marinho

O empresário Paulo Marinho, que é suplente de senador de Flávio Bolsonaro (Republicanos/RJ) e foi coordenador da campanha do atual presidente, afirmou que a Polícia Federal adiou a Operação Furna da Onça durante o segundo turno das eleições de 2018, para que não prejudicasse a candidatura de Jair Bolsonaro (Sem partido). De acordo com o empresário, Flávio foi avisado com antecedência sobre a operação que investigava o esquema de “rachadinha” e desvio de dinheiro público no gabinete do senador e filho de Bolsonaro.

A operação também atingiu o ex-motorista e assessor Fabrício Queiroz. Em entrevista à Folha, Marinho, que é um dos mais importantes apoiadores de Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial, detalhou a pausa na operação durante as eleições.

De acordo com o empresário, Flávio Bolsonaro teria sido avisado da existência da operação logo no final do primeiro turno das eleições de 2018. O informante, seria um delegado da PF que simpatizava com a candidatura de Jair Bolsonaro.

Além de dar informações sobre a operação, o delegado da PF teria aconselhado Flávio a demitir Fabrício Queiroz e a filha dele, que trabalhava no gabinete de Jair Bolsonaro, na época deputado federal, em Brasília. Diante das informações, o filho do presidente exonerou os dois em 15 de outubro de 2018.

Conversas por telefone

Na entrevista, o empresário revelou que Gustavo Bebianno, ex-presidente do PSL durante a campanha presidencial de 2018 e ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência, possuía “um telefone celular por meio do qual interagiu durante toda a campanha e a transição de governo com o capitão. Eles se falavam muito por WhatsApp”.

O empresário lembrou que Bolsonaro adorava mandar mensagens gravadas para Bebianno. Ele afirmou que havia um extenso conteúdo das conversas, “na mais alta intimidade que você pode imaginar. Eram conversas íntimas que provavelmente deviam ter revelações interessantes”.

“Um dia, num ato de raiva pela demissão injusta que sofreu, tratado como se tivesse sido um traidor quando foi o que mais fez pelo capitão, ele deletou grande parte desse conteúdo”, afirmou Marinho. O empresário disse que o telefone foi deixado nos Estados Unidos.

Mas lembrou que “depois parece que ele resgatou de novo o conteúdo. Ele ficou muito marcado pela demissão, com muito desgosto, melancolia”. Sobre os sentimentos do ex-ministro, Marinho comentou que “ele morreu de decepção, de tristeza mesmo. Mas ele não era homem-bomba. Não tinha nada que pudesse tirar o capitão do governo por algo do passado”. Questionado pela Folha sobre qual o paradeiro do telefone e das gravações, o empresário respondeu que não sabe onde está. “Eu não sei onde está, para te dizer a verdade. Está com alguém. Eu não sei com quem”.