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12/09/2020 às 21h37

Novo Horizonte do Sul questiona IBGE e cogita ação para recontagem da população


iviagora - CGNEWS

Alegando erro na contagem da população de Novo Horizonte do Sul, o município entrou com pedido de revisão dos números junto ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) que recentemente atualizou os dados da população brasileira. Caso o instituto não refaça a pesquisa, a prefeitura pretende acionar a Justiça.

Novo Horizonte, por sua vez, aparece entre as 15 cidades de Mato Grosso do Sul que tiveram redução no número de habitantes, o que surpreendeu o município, que impetrou recurso administrativo no IBGE, questionando a pesquisa.

No recurso, encaminhado à direção nacional do instituto, o município expõe cinco pontos que apontariam para erro na contabilização, o principal deles, a quantidade de eleitores: 3.940. Pelo IBGE, a cidade tem 3.684 habitantes.

“A estatística do eleitorado para o município de Novo Horizonte do Sul, em agosto de 2020, conta com 3.940 eleitores, conforme documento retirado do site do Tribunal Superior Eleitoral”, sustenta o documento.

Além disso, o município alega ainda que somente este ano, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), através dos agentes comunitários de saúde, 4.809 pessoas (únicas) foram atendidas na rede de saúde da cidade.

Novo Horizonte do Sul afirma ainda que dados da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul), indicam o mês de agosto de 2020, 1.617 ligações ativas de água.. “Se fizer uma média mínima de três pessoas por residência, dá um total de 4.851 pessoas residentes somente na zona urbana”, ressalta o recurso, que lembra ainda de 870 famílias que moram na área rural.

Por fim, a prefeitura alega que há 1.267 alunos matriculados na cidade, tanto no ensino público quanto no privado e que “há no município um loteamento irregular que abriga cerca de 70 famílias” que já pediram ligações de água e energia.

No documento, o município sustenta que a manutenção da contagem como está, “acarretará sérios prejuízos ao erário público municipal e consequentemente ao atendimento da população, contrariando desse modo o interesse público”.

O procurador municipal, André Frizzi, falou com a reportagem, mas não soube detalhar em valores esse prejuízo, dizendo apenas que o impacto é no FPM (Fundo de Participação dos Municípios), que é repasse federal. Ele prometeu maiores informações na segunda-feira.

Dados do recurso reforçam que o município está “convicto de que esses dados não correspondem à realidade” e por isso, pede a revisão da contagem realizada ao IBGE.

“Ora, todas as informações prestadas, são suficientemente capazes de afirmar com toda certeza que os dados publicados em relação ao último censo, não condizem com a realidade. Diante do exposto, contando com a revisão dos levantamentos efetuados e consideração das informações agora prestadas, aguardamos a solução deste impasse”, finaliza o documento.

Ponta Porã – A cidade fronteiriça, Ponta Porã, também reclamou da contagem do IBGE recentemente. Lá, no entanto, a reclamação foi em relação ao baixo crescimento, que teria sido de apenas 1,5% nos últimos dois anos.

Segundo o Instituto, são 1.411 moradores a mais e 93.937 habitantes no total. O que levanta “suspeitas” sobre as informações é que “no mesmo período, nasceram 3.200 bebês no Hospital Regional Dr. José de Simone Neto”, conforme reportagem do site Ponta Porã Informa.

Em entrevista, o prefeito Hélio Peluffo Filho minimizou a chiadeira. Segundo ele, pouco importa essa diferença, porque, para o município só mudará algo em relação a repasses federais, por exemplo, após a cidade atingir 100 mil habitantes.

Lembrou ainda que a diferença pode estar na população que vem e vai de Ponta Porã, por conta da fronteira com o Paraguai.

“O nosso maior desafio é continuar trabalhando para que o IBGE reconheça a população flutuante, pois isso sim vai influenciar diretamente nos serviços oferecidos como por exemplo o atendimento nos postos de saúde, nas escolas, nos centros de educação infantil e no próprio hospital Regional” disse.